terça-feira, 4 de junho de 2013

HISTÓRIAS DE LEITURA E ESCRITA

UM POUCO DE MINHA RELAÇÃO COM A LEITURA E A ESCRITA

GISELE FRANCISCO ANTUNES

Cresci vendo minha mãe e tias lendo. Desde cedo interessei-me pelas letras, quis conhecê-las antes mesmo de ir pra escola. Meu pai, que fez o antigo magistério, se dispôs a me apresentá-las. De forma bem tradicional, fui conhecendo as vogais, consoantes e comecei a juntar as letras e reconhecer palavras. Quando entrei na escola um mundo mágico me foi apresentado. Minha primeira professora, Ieda, lia histórias com um entusiamo delicioso e nos incentivava a contá-las também. Na terceira série, eu já dominava a escrita e a leitura, e passei a frequentar a biblioteca sozinha. Retirava livros toda semana e me apaixonei por um título que marcou minha infância: "A fada que tinha ideias", da Fernanda Lopes de Almeida. A Clara Luz, personagem principal, fez com que eu não me sentisse diferente por ser curiosa, questionadora, ter ideias que pareciam malucas, pois fugiam do comum. Na primeira vez eu li, depois pedia que minha mãe lesse pra mim, pois o som da sua voz é melódico, expressivo e eu me sentia muito feliz com esses momentos. Eu costumava pegar outros livros, mas sempre voltava com esse para casa e minha mãe dizia "Gi, de novo esse livro? Não enjoa?!" e eu sempre a convencia de lê-lo mais uma vez pra mim. Nessa época conheci Ana Maria Machado, Monteiro Lobato, Maria Clara Machado, entre outros transformadores de minha imaginação. Mais velha, adentrei em histórias de mais densas e uma que me impressionou muito, pois fui capaz de sentir a dor expressa pelas palavras, foi Iracema, de José de Alencar. Em um projeto da escola Francelina Franco em Buri, onde estudei, caixas de livros eram levadas para sala e por vinte minutos toda a escola parava para ler, inclusive funcionários, eu escolhi aquele livro com uma índia na capa, nome sonoro, apresentação instigante e um final tão lírico que me emocionou, mesmo estando entre outros quase trinta adolescentes. Não parei mais de ler, considero a leitura sinônimo de liberdade, pois quando eu nem sonhava que um dia poderia viajar, conhecer outros lugares, outras culturas, outras realidades, os livros me diziam o contrário, incentivavam meus sonhos, meus devaneios interiores, acalmavam minha alma e me ensinavam a ver o mundo ou mundos com outros olhos.


(Trecho com o qual me emocionei muito, chegada de Martim e morte de Iracema)

"O cristão moveu o passo vacilante. De repente, entre os ramos das árvores, seus olhos viram, sentada à porta da cabana, Iracema, com o filho no regaço, e o cão a brincar. Seu coração o arrojou de um ímpeto, e a alma lhe estalou nos lábios:
— Iracema!. . .
A triste esposa e mãe soabriu os olhos, ouvindo a voz amada. Com esforço grande, pôde erguer o filho nos braços, e apresentá-lo ao pai, que o olhava extático em seu amor.
— Recebe o filho de teu sangue. Era tempo; meus seios ingratos já não tinham alimento para dar-lhe!
Pousando a criança nos braços paternos, a desventurada mãe desfaleceu, como a jetica, se lhe arrancam o bulbo. O esposo viu então como a dor tinha consumido seu belo corpo; mas a formosura ainda morava nela, como o perfume na flor caída do manacá . Iracema não se ergueu mais da rede onde a pousaram os aflitos braços de Martim. O terno esposo, em quem o amor renascera com o júbilo paterno, a cercou de carícias que encheram sua alma de alegria, mas não a puderam tornar à vida: o estame de sua flor se rompera."

Um comentário:

  1. Adoooro ler artigos de blogs, gostei muito do seu cantinho! Continue a postar suas histórias e experiências que sempre voltarei aqui para lê-las! Parabéééééns!

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